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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Não, eu quero uma SmartTV.

Olá amigos FIREs, tudo bem com vocês?

 

Hoje quero contar a história de um amigo, gente boníssima, mas que infelizmente não conseguiu (ainda) o sucesso que merece na vida.

 

Ainda muito jovem, seus pais se separaram. A mãe, traída, saiu de casa e foi morar em outra cidade, deixando os filhos com o pai.

 

O pai, já com caso com a outra mulher, também casada, engravidou-a, e o marido, mesmo descobrindo toda a verdade ( o pai deste amigo fez questão de mostrar o DNA para provar que o filho era dele) quis se manter casado.
Com isso, as crianças dos dois lados acabaram se aproximando, e como a época não era visto com mal olhos as crianças ajudarem em casa, todas as crianças,(meu amigo, o irmão e 3 filhos da mulher) saiam pela cidade vendendo bombons. Bem gostosos por sinal.

 

Ele, sempre trabalhador, procurou a religião por meios próprios, já que o pai nunca foi afeito a fé, e trocou de religião umas 3x durante a vida.

Tornou-se vendedor, de peças para motocicletas. Um ótimo vendedor, devo dizer. Atencioso, sempre tentando vender o melhor custo-benefício para o cliente.

Infelizmente, não teve alguém para lhe ensinar educação financeira, e soma-se a isso, o fato de que acaba sendo imediatista.

Casou-se, foi morar em um apartamento do sogro em um conjunto habitacional estadual. Como o ambiente nestes lugares é muito pesado, não ficou lá muito tempo, e resolveu alugar a própria casa. A esposa, NUNCA trabalhou para ajudar nas despesas.

Veio a primeira filha. Precisava de um carro. Comprou um carro do pai parcelado. O carro vivia dando despesas.

Ainda devendo o carro, adquiriu um terreno, e em um mês bom de vendas, já começou a construir. Lembra que eu disse que não tem educação financeira e é imediatista? Então...Não tem reserva de emergência nem para 5 minutos.

Só quem já construiu, sabe o quão caro isso é.

 

Cara, se eu puder ensinar uma coisa, somente UMA ÚNICA COISA a você sobre finanças, seria -> Tenha uma Reserva de Liquidez. Eu a apelidei carinhosamente de Cama Elástica. Por que Cama elástica? Bom, você pode descobrir isso lendo os artigos anteriores.

 

Para poder construir, começou a morar com a sogra. Dividindo as despesas, sobrava mais para construir ou pagar o carro. O pensamento até que não era ruim, mas já começou errado, já que, como já mencionado, não deixou nada para eventual emergência. Ah, e detalhe: neste meio tempo, nasceu a segunda filha.

Aí, veio o revés. Gastou o que não tinha tanto no terreno quanto no carro. As vendas da loja caíram. O salário diminuiu. Como resultado, deve que devolver o terreno, devolver o carro, e só ficou amargando o prejuízo.

Depois de uma discussão devido a uma promoção que não aconteceu, saiu da loja e foi trabalhar por conta como Motoboy. Fechou uma parceria legal com o pessoal da minha área na cidade, fazendo entregas para o principal técnico na área.

Go Go Go!


Mas trabalhar por conta é igual renda variável, varia para baixo também. Então, como quem começa a fazer Trade e acerta, ele começou a fazer as entregas em novembro, fazendo uma grana legal, e depois de pagar as contas (nunca quitar, apenas não deixar atrasar) ele consumia todo o resto com o famoso “Eu mereço”.

 

A sogra financiou uma casa e se mudou. Agora ele tinha todas as despesas da casa para pagar sozinho. A mulher, nada de trabalhar. Como é de se esperar no comércio, as vendas/manutenções em fevereiro caíram. Daí, veio o COVID-19 como golpe de misericórdia. Lockdown de 15 dias na cidade.

Parado, sem reservas, e com aluguel, água, luz, internet e 4 bocas para alimentar, entrou novamente em uma loja do ramo que já vendia, mas já ciente de que era temporário. Com uma pequena chance de ser efetivado.

Não estava feliz com o salário, mas pelo menos, tinha um fixo para as contas.

 

Comentei acima que a sogra financiou uma casa e se mudou. Então, vários móveis da casa eram dela. E eletrônicos também.

Ela levou a TV. E ele com duas crianças em casa, durante uma pandemia, sem TV...Fica MUITO complicado.

Ele é um cara honesto. Só não tem educação financeira. Dos aparelhos que comprou de mim, sempre pagou. Com atraso algumas vezes, mas sempre pagou.

Como estava sem TV, perguntou se eu poderia pegar uma na AMAZON, que é onde estava o menor preço, no meu nome. Como a conta, no fim das contas seria minha, vi que uma TV de R$1K dividido em 10x é algo que eu conseguiria absorver sem me prejudicar. Concordei.

Porém, Tenho em casa 1 TV que uso para trabalho, 1 do quarto de minha mãe (29”) e uma na sala que está em desuso, já que esta era usada pelo meu pai.

Vendo que ele está apertado, propus colocar de de 42” no quarto para minha mãe, e a de 29”, ele levar emprestado, por tempo indeterminado, até conseguir se organizar.

 

Graças ao Spoiler do título, você já sabe a resposta.

Tudo bem o cara querer uma TV top, mas ao invés de gastar R$1K em uma TV, poderia ter pego emprestado a de 29” e comprado um TV Box por menos de R$300. A economia já daria para ele pagar 1 Mês de aluguel.

 

Se recordam que ele está sem carro? Então...Trocou a moto com o tio em um carro.

Sim, a moto que é a ferramenta de trabalho dele.

É, eu sei. É bizarro.

Como resolver isso? Da pior maneira possível, é claro.

Usou o nome da sogra para financiar uma POP 125. Agora imagine o dia inteiro fazendo entregas sobre uma POP 125. Vai ser sofrido.

Vai ser tipo assim.


No dia que foi fechar o negócio, veio na minha casa, e fez a ligação para a loja de motos daqui mesmo.

Antes de fechar o negócio, como quem não quer nada, me mostrou um anúncio de uma BIZ, por R$2K, e disse que era um “achado”, porque o pessoal está pedindo muito mais do que isso numa motoneta daquele ano.

 

Entenderam qual era o intuito dele? Ver se eu iria oferecer meu cartão para ele comprar essa BIZ.

 

Recapitulando o que eu disse acima -> No fim do dia, é uma conta minha. E R$300 por Mês (R$100 da TV +R$200 da moto) já é algo que eu considero muito pesado. Praticamente 25 ITSA4 ou MXRF11.

Você não ter conhecimento não é sua culpa. Você não buscar o conhecimento, é.

Se tivesse segurado a vontade, e ter aceitado a TV de 29” (usou de desculpa que tinha medo da filha dele dependurar na TV e ela cair sobre a criança) não teria dívidas no meu cartão, e seria provável que eu parcelasse essa moto para ele.

Se você não tem dinheiro a vista para comprar, você AINDA não pode ter aquilo. Existir um pedaço de plástico que te dá o direito de se endividar, não muda isso.

E vocês, já passaram por uma experiência semelhante? Deixe nos comentários!


sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Uma viagem ao passado

Olá, tudo bem com você?

Apesar do foco da Blogosfera FIRE é falar sobre investimentos, creio eu que um lazer de menor custo pode ser muito interessante para ajudar a nos manter focados. Afinal, são somos maquinas, precisamos de lazer, e a vida não é só fazer dinheiro, aportar e pagar contas.

Eu jogo games acredito que desde os 6 anos de idade, me lembro de bem jovem ir em uma fliperama de apenas 4 maquinas de uma senhora muito gente boa que existia na minha cidade, pedia algum dinheiro a meu pai, se não me engano ele me dava 1000 cruzeiros (última moeda antes do REAL)  e com isso comprava algumas fichas.
Eram basicamente assim: várias maquinas enfileiradas, jogava-se de até dois players, e a diversão comia solta.

Lá tinha uma máquina de um ninja, que tinha como objetivo subir em plataformas e jogar shurikens nos adversários, uma do Street Fighter 2, uma terceira que não me recordo e a que mais gostava, uma máquina das Tartarugas Ninja. Sempre curti esses jogos estilo "Briga de Rua" como costumávamos chamar.
Este era o Game. A Nostalgia domina.

Como era uma cidade pequena, de  cinco mil habitantes a época, e era início dos anos '90 (provavelmente '92) era natural uma criança de 6 anos andar 5 quarteirões sozinha, passando pelo centro da cidade para ir se divertir. Hoje, isso é impensável. " Que tipo de pais deixam o filho andar sozinho?" diriam.

Depois ganhei de meu pai um aparelho que tinha um jogo de helicóptero, acho que um Turbo Game (ainda não sabia ler para identificar o nome do aparelho) em que eu jogava em uma pequena TV de 10 polegadas preto e branco. Bons tempos.

Depois ganhei um ATARI 2600 do filho do dono do sítio onde morávamos. Ele morava em outra cidade, e a esposa dele tinha familiares de uma renda mais alta, então assim que lançou o SUPER NINTENDO, já compraram para os meninos, e entregaram o ATARI para que ele doasse. Eu fui o escolhido. Tive este game por uns 3 anos ou mais.
E este, senhores, foi o primeiro videogame doméstico a fazer sucesso. O famoso ATARI 2600!

Como meus pais sempre quiseram me ensinar o valor do trabalho, desde cedo, acredito que com os mesmos 6 anos ou menos, eu já tinha obrigações no sítio.

 Buscar os bezerros no mesmo horário todo dia, aos 7 anos tinha de debulhar milho para meu pai dar para as galinhas de manhã, aos 8 tinha de manter o curral e o chiqueiro limpos, quando o cafezal ainda estava em mudas, o que exige maior cuidado para não queimar as folhas, eu e minha mãe fazíamos o trabalho, eu colhia pimenta para vender ( e quase todas as vezes coçava o olho, normalmente MUITO LONGE da fonte de água mais próxima), cobrava os mal pagadores que ficavam devendo ovos e queijos para minha mãe, eu acabei juntando um dinheiro, e já com 11 ou 12 anos, comprei meu próprio SUPER NINTENDO. Depois daí todos os outros foram adquiridos por mim mesmo. Isso me ensinou a dar muito valor ao trabalho.
No começo debulhava milho na mão...

Depois em um desses, onde se coloca o milho por cima, se gira uma manivela
 e assim debulhava o milho bem mais rápido.

Lembro de um pseudo amigo, que indiretamente me acompanhou até a fase adulta, que sempre ia na minha casa ou para jogar, ou para me chamar para ir na locadora de games (para a galera mais jovem, era um lugar onde se tinha de 4 a 10 TVs com videogames variados, e você pagava por hora para jogar) com um detalhe interessante: era para EU pagar pela hora. Era meu amigo puramente por interesse né?

Eu sempre comprava o videogame anterior, por conta do preço. Se era o auge do SUPER NINTENDO, eu tinha um ATARI 2600. Se era o auge do PLAYSTATION, eu tinha um SUPER NINTENDO. Se era o auge do DREAMCAST, eu tinha um PLAYSTATION (que tive pouco tempo, depois posso fazer um POST contando o motivo).
Eram assim as Locadoras nos Anos 90/2000.

Já este amigo, ele sempre dizia que iria comprar o último modelo. Mas nunca comprava. Sempre era um projeto que nunca tirava do campo das idéias. Nunca começava. Então jovem, mesmo inconscientemente, aprendi que começar com algo é melhor do que ficar esperando o melhor momento, porque este pode nunca chegar.

Sinceramente gostei do Resultado deste post, fiquei com uma sensação gostosa de nostalgia.

Farei a parte dois no futuro.

E você? Como foi sua infância? Teve algumas semelhanças?

Deixe seu relato nos comentários, e vamos juntos curtir a nostalgia da juventude.

Continuamos nosso bate papo no próximo post. Até logo.